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Plantio de café em Reserva Extrativista e desmatamento zero da Amazônia

Ecio Rodrigues & Aurisa Paiva, 23/03/2025

Não foi a primeira vez e, por óbvio, não será a última que uma reportagem repleta de equívocos atrapalha a compreensão acerca das causas e consequências do desmatamento na Amazônia.

Em matéria recente publicada em jornal de circulação nacional o pouco preparado responsável pelo artigo saudava, com um rol extenso de elogios, a produção de café na Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre.

Um ícone para conservação da floresta na Amazônia, essa unidade de conservação inserida no grupo de uso sustentável, recebeu o nome do líder ecologista reconhecido mundo afora.

A Resex Chico Mendes, como ficou conhecida, foi a primeira unidade desse modelo de conservação da floresta a ser instituída por Decreto do Presidente da República, ainda em 1990.

Sua peculiaridade e diferencial frente a uma Estação Ecológica ou Parque Nacional é que a Resex concilia a presença de uma população tradicional explorando um ou mais produtos florestais no modo extrativista de produção (nesse caso dois produtos florestais: borracha e castanha-da-Amazônia).

Única opção com fins comerciais, na Resex a renda do produtor terá que surgir, sem exceção, da produção florestal, ficando a produção de milho, arroz, feijão, macaxeira e a vaca destinada à subsistência, podendo algum pequeno excedente ser vendido no mercado local.

Voltando à equivocada reportagem, a produção de café em uma Resex, com fins comerciais e em especial para exportação, é terminantemente proibida pela Lei que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), ainda em 2.000.

Extrapolando nos equívocos a reportagem sugeria também que o cultivo de café, uma espécie clonada e estranha ao bioma amazônico, inibiria o desmatamento. Algo inusitado posto que o café foi plantado onde antes havia uma floresta.

Reside nesse ponto, na competitividade da floresta, a razão pela qual as taxas de desmatamento persistem ano após ano na Amazônia.

Borracha deixou de ser um produto para se transformar em apelo social desde início do século atual e a castanha-da-Amazônia, a despeito de ser um produto altamente competitivo, ocorre somente em 20% do território do Acre.

Ociosa para o produtor a área de floresta foi desmatada para dar lugar ao cultivo de capim em uma pecuária extensiva com sofrível produtividade, que depende de quase dois hectares para criar um boi.

Foi nesse lugar que se deu o contrassenso econômico de dois hectares da maior biodiversidade florestal do planeta valer menos que um boi, onde o café está sendo cultivado e contrariando a sensatez e a legislação vigente será comercializado e fornecerá a renda que o produtor demanda.

Contudo, continuando no raciocínio, em uma propriedade localizada em um dos muito assentamentos geridos pelo Incra, o café poderá substituir a falida pecuária extensiva desde que seu cultivo não ultrapasse os 20% da área total da propriedade, com permissão legal, segundo o que prevê o Código Florestal, para desmatar.

Por isso, pouco importa se o desmatamento será legalizado ou realizado à margem da legislação.

Para os países associados à ONU, o que importa é o desmatamento zero, para evitar que a aquecimento do planeta se intensifique causando tragédias cada vez mais recorrentes como as alagações e cheias nos rios na Amazônia.

Entender a dinâmica do desmatamento na Amazônia será o dever de casa que todo jornalista brasileiro na COP30 terá que dominar.

COP30 discutirá formação do Cluster do Ecossistema na Amazônia

30/03/2025

Na COP30 o desmatamento zero será defendido por 100% dos 198 países associados à Organização das Nações Unidas, nenhum apresentará alguma proposta de política pública diferente da fiscalização.

Um desafio enorme para a COP30 posto que há clara dificuldade aos países para aceitar a existência do desmatamento legalizado e maior ainda em acreditar que o estímulo a atividades produtivas mais rentáveis que a pecuária extensiva permitirá alcançar o desmatamento zero.

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Inexplicável recorde de queimadas no Acre em janeiro de 2025

16/03/2025

Dezembro e janeiro, quando comparado ao período dos três meses diabólicos das queimadas, em que há bastante floresta derrubada para queimar, seca ou pouca chuva e um calor insuportável (agosto, setembro e outubro) as condições climáticas são ruins para produtores, pequenos e grandes, que insistem na primitiva e nefasta prática agrícola da queimada.

O fato é que no cálculo da média mensal, em janeiro de 2025 no Acre ocorreram 35 queimadas, a maior quantidade em 28 anos mantendo a tendência observada no mês anterior, em dezembro de 2024.

Pode ser que o projeto de governo do agronegócio da pecuária extensiva não seja tão sustentável como faz parecer a comitiva acreana que participa de conferencias sobre mudanças climáticas da ONU.

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Após 10 anos, Acordo de Paris se consolidará na COP30

09/03/2025

Contudo, terminado o século passado e ainda na primeira década do atual, os cientistas divulgaram uma série de estudos analisados pelo painel cientifico da ONU, conhecido por IPCC na sigla em inglês, comprovando e determinando com exatidão considerável as taxas de aumento anual da temperatura.

O sucesso do Acordo de Paris pode ser medido pela excelente estratégia de fazer com que cada um dos 197 países, que aprovaram o pacto, apresentasse metas de maneira voluntária, mas que, uma vez aprovadas na ONU, deveria ser honrada por obrigação até 2030.

Nós brasileiros, por exemplo, nos comprometemos a gerar mais energia elétrica com placas solares, cata-ventos e, por óbvio diante do potencial natural do país, construindo mais usinas hidrelétricas.

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Escola de Samba carioca esquece crise climática em 2025

02/03/2025

Não podemos esquecer que a conferencia das partes sobre mudança climática, ou simplesmente COP30, acontecerá em novembro próximo em Belém, capital do Para.

E que será um momento oportuno para chamar a atenção do mundo para o desmatamento da Amazônia e os avanços das políticas públicas que cobram muito esforço da sociedade para conservar a maior floresta tropical do planeta.

E mais que a escolha de uma cidade amazônica como sede pode atrair investimentos para financiar projetos em bioeconomia e exploração sustentável da floresta, que permitam superar o nefasto e persistente ciclo econômico da pecuária extensiva iniciado nos idos de 1970.

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Concessão Florestal elevará riqueza de Apuí no Amazonas

23/02/2025

Ainda em 2007 a Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia, foi a primeira área coberta por florestas nativas na Amazônia a ser leiloada para exploração por uma indústria madeireira legalmente amparada pelo sistema de Concessão Florestal.

Da Floresta Nacional do Jamari em 2007 até a Floresta Nacional de Jatuarana hoje, a economia florestal na Amazônia demonstra potencial para gerar maior riqueza que aquela obtida pelo desmatamento da pecuária extensiva.

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COP 30 já começou

16/02/2025

Em 2015, quando todos os países da ONU, ou melhor, do planeta, assinaram o Acordo de Paris, relatórios seguidos do Painel de Cientistas da ONU, IPCC na sigla em inglês, composto por mais de 3.000 pesquisadores representantes de todos os países membros da ONU, forneceram a comprovação científica para superar o Princípio da Precaução.

Enquanto isso, por aqui os brasileiros e seus representantes políticos, conseguiram aprovar e colocar em prática um arcabouço legal robusto para fomentar a geração de energia elétrica considerada limpa, sem carbono.

Nunca, na história brasileira, se captou tanta energia do sol, dos ventos e da água.

Melhor ainda, mais de 140 usinas hidrelétricas representam quase 70% da energia elétrica distribuída para residências e indústrias.

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Não gostei, ou não entendi Marcel Proust

09/02/2025

Discordando de quase tudo que lemos, antes de encarar as quase impossíveis 2.400 páginas, na maravilhosa Wikipédia sobre Marcel Proust e sua única extensa obra “Em Busca do Tempo Perdido”, não conseguimos puxar uma cadeira para o francês sentar ao lado de um dos maiores da literatura portuguesa o nosso incomparável Machado de Assis.

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