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Inexplicável recorde de queimadas no Acre em janeiro de 2025

Ecio Rodrigues & Aurisa Paiva, 16/03/2025

Antes, outra informação importante foi o igualmente inexplicável recorde de queimada ocorrido em dezembro de 2024, quando foram detectados pelo reconhecido Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Inpe, um total de 30 focos de fogo ante uma média para dezembro de 7 queimadas nos últimos 28 anos.

Saltar de 7 para 30 queimadas e em dezembro, pode parecer pouco aos desavisados, mas não é!

Pesquisadores e analistas que se debruçam para entender a dinâmica do desmatamento e das queimadas em toda a Amazônia e no Acre em particular foram surpreendidos pela gravidade das estatísticas.

As razões não são nada óbvias posto que em dezembro a pluviosidade elevada não permite que o conhecido triangulo do fogo (fartura de combustível, temperatura ou calor e comburente ou oxigênio) se concretize ao umedecer o combustível e manter o termômetro em baixa.

Quando comparado ao período dos três meses diabólicos das queimadas, em que há bastante floresta derrubada para queimar, seca ou pouca chuva e um calor insuportável (agosto, setembro e outubro) as condições climáticas após novembro são outras, desfavoráveis para os produtores, pequenos e grandes, que insistem na primitiva e nefasta prática agrícola da queimada.

Por sinal, o ano de 2024 pode ser considerado um dos piores para o controle das queimadas no Acre com três recordes para os meses de junho, outubro e dezembro, o que não ocorria desde 1998 quando o Inpe iniciou suas precisas medições.

Contudo, os meses de junho e outubro se inserem no rol dos meses em que o atual governo do Acre demonstra sua incapacidade para controlar os efeitos nocivos do modelo de desenvolvimento baseado no agronegócio da pecuária extensiva.

Nada mais desanimador que observar ano após ano o resultado das incoerências de um projeto de governo que promove a pecuária extensiva sob a alegação de que desmatar para plantar capim não contribui para alterar o clima.

Uma total ausência de sensatez comprovada pelos recordes de queimadas de dezembro de 2024 e de janeiro de 2025.

Tudo bem que ainda é cedo para estabelecer uma conexão ancorada em estatísticas robustas de causa e efeito, mas uma coisa é certa: as mudanças no clima do Acre explicam boa parte dos recordes de queimadas durante as cheias.

Alagação e queimadas, juntas as duas atuais tragédias ambientais do Acre e o projeto de governo do agronegócio da pecuária extensiva nada tem a ver com isso?

O fato é que no cálculo da média mensal, em janeiro de 2025 no Acre ocorreram 35 queimadas, a maior quantidade em 28 anos mantendo a tendência observada no mês anterior, em dezembro de 2024.

Pode ser uma exceção, quem sabe dois pontos fora da curva, mas não seria bem mais sensato traçar um plano para evitar acontecer de novo?

Afinal, quem sabe também pode ser que o projeto de governo do agronegócio da pecuária extensiva não seja tão sustentável como faz parecer a comitiva acreana dos atuais gestores e políticos que participam das conferencias da ONU sobre mudanças climáticas.

E, claro, irão para a COP30.

Nada mais oportuno, afinal será em Belém do Pará e em dezembro, o mesmo mês do inexplicável recorde de queimadas durante as cheias dos rios no Acre.

COP30 discutirá formação do Cluster do Ecossistema na Amazônia

30/03/2025

Na COP30 o desmatamento zero será defendido por 100% dos 198 países associados à Organização das Nações Unidas, nenhum apresentará alguma proposta de política pública diferente da fiscalização.

Um desafio enorme para a COP30 posto que há clara dificuldade aos países para aceitar a existência do desmatamento legalizado e maior ainda em acreditar que o estímulo a atividades produtivas mais rentáveis que a pecuária extensiva permitirá alcançar o desmatamento zero.

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Plantio de café em Reserva Extrativista e desmatamento zero da Amazônia

23/03/2025

Extrapolando nos equívocos a reportagem sugeria também que o cultivo de café, uma espécie clonada e estranha ao bioma amazônico, inibiria o desmatamento. Algo inusitado posto que o café foi plantado onde antes havia uma floresta.

Reside nesse ponto, na competitividade da floresta, a razão pela qual as taxas de desmatamento persistem ano após ano na Amazônia.

Borracha deixou de ser um produto para se transformar em apelo social desde início do século atual e a castanha-da-Amazônia, a despeito de ser um produto altamente competitivo, ocorre somente em 20% do território do Acre.

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Após 10 anos, Acordo de Paris se consolidará na COP30

09/03/2025

Contudo, terminado o século passado e ainda na primeira década do atual, os cientistas divulgaram uma série de estudos analisados pelo painel cientifico da ONU, conhecido por IPCC na sigla em inglês, comprovando e determinando com exatidão considerável as taxas de aumento anual da temperatura.

O sucesso do Acordo de Paris pode ser medido pela excelente estratégia de fazer com que cada um dos 197 países, que aprovaram o pacto, apresentasse metas de maneira voluntária, mas que, uma vez aprovadas na ONU, deveria ser honrada por obrigação até 2030.

Nós brasileiros, por exemplo, nos comprometemos a gerar mais energia elétrica com placas solares, cata-ventos e, por óbvio diante do potencial natural do país, construindo mais usinas hidrelétricas.

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Escola de Samba carioca esquece crise climática em 2025

02/03/2025

Não podemos esquecer que a conferencia das partes sobre mudança climática, ou simplesmente COP30, acontecerá em novembro próximo em Belém, capital do Para.

E que será um momento oportuno para chamar a atenção do mundo para o desmatamento da Amazônia e os avanços das políticas públicas que cobram muito esforço da sociedade para conservar a maior floresta tropical do planeta.

E mais que a escolha de uma cidade amazônica como sede pode atrair investimentos para financiar projetos em bioeconomia e exploração sustentável da floresta, que permitam superar o nefasto e persistente ciclo econômico da pecuária extensiva iniciado nos idos de 1970.

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Concessão Florestal elevará riqueza de Apuí no Amazonas

23/02/2025

Ainda em 2007 a Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia, foi a primeira área coberta por florestas nativas na Amazônia a ser leiloada para exploração por uma indústria madeireira legalmente amparada pelo sistema de Concessão Florestal.

Da Floresta Nacional do Jamari em 2007 até a Floresta Nacional de Jatuarana hoje, a economia florestal na Amazônia demonstra potencial para gerar maior riqueza que aquela obtida pelo desmatamento da pecuária extensiva.

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COP 30 já começou

16/02/2025

Em 2015, quando todos os países da ONU, ou melhor, do planeta, assinaram o Acordo de Paris, relatórios seguidos do Painel de Cientistas da ONU, IPCC na sigla em inglês, composto por mais de 3.000 pesquisadores representantes de todos os países membros da ONU, forneceram a comprovação científica para superar o Princípio da Precaução.

Enquanto isso, por aqui os brasileiros e seus representantes políticos, conseguiram aprovar e colocar em prática um arcabouço legal robusto para fomentar a geração de energia elétrica considerada limpa, sem carbono.

Nunca, na história brasileira, se captou tanta energia do sol, dos ventos e da água.

Melhor ainda, mais de 140 usinas hidrelétricas representam quase 70% da energia elétrica distribuída para residências e indústrias.

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Não gostei, ou não entendi Marcel Proust

09/02/2025

Discordando de quase tudo que lemos, antes de encarar as quase impossíveis 2.400 páginas, na maravilhosa Wikipédia sobre Marcel Proust e sua única extensa obra “Em Busca do Tempo Perdido”, não conseguimos puxar uma cadeira para o francês sentar ao lado de um dos maiores da literatura portuguesa o nosso incomparável Machado de Assis.

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